domingo, 28 de setembro de 2008

Nova edição no dia 16 de outubro!

Tá chegando a hora de mais uma. No dia 16 de outubro o Projeto MaPa tem nova edição no Cinemathéque, com a participação do poeta Tavinho Paes e dos músicos Arnaldo Brandão e Cláudio Pinheiro. Para esquentar, abaixo você vê vídeos de encontros passados.

No primeiro, o escritor africano Ondjaki faz uma homenagem ao seu continente. No seguinte, o jornalista, escritor e antropoólogo Paulo Thiago de Mello recita seu poema As Mariposas, enaltecendo as mulheres.

Até!

Ondjaki



Paulo Thiago de Mello

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Ipanema

quarta-feira, 16 de julho de 2008

O SALTO


Pompeo Pelosi, baterista da banda do Projeto MaPa, é o autor deste poema, que foi ouvido pela platéia presenta na quarta edição do evento. Acima, uma foto dele em ação. Ao fundo, parte do cenário-vivo criado pela SuperUber, de Liana Brazil e Russ Rive, especialmente para a noite.

O SALTO

Envolto por cortina de fumaça,

e cercado de dúvidas e esperanças,

abracei uma nova alternativa.

Volto já...

Tendo como testemunhas outros

iguais tão diferentes quanto eu,

e em voz alta, proferi meu primeiro voto:

o de silêncio!

De assalto, naquele instante,

tomou meu peito uma estranha e familiar acolhida,

me parecendo coisa que já vivi.

Em outra vida!

Num segundo se renova:

Estou inscrito!

Em cada rito, sem que claro

eu possa ver, fiel me torna.

E toda lágrima, riso, gozo,

ou dor; isso me leva...

Ao vasto Céu de espaço irrestrito.

Solene Amor!

Em minha mente, evoco a

imagem do poeta popular, que diz “ao redor do buraco tudo é beira”.

Luto pra me ver, no alto da

ribanceira do ser. O quê?

Sem medo de medo ter, não

mais o tempo contar, os pontos auferir.

E sem pestanejar, calado todo

o medo, ao perpétuo me inclinar.

Salto não mais prendendo o

ar; soltando o grito.

Voto já!

Imagens, imagens, imagens...

Abaixo, cenas que as câmeras dos queridos fotógrafos Dan Chiacos e Ana Rodrigues registraram durante a quarta edição do MaPa. Tem Moraes Moreira se preparando para a apresentação no camarim, relendo alguns dos poemas que declamou na noite. Moraes no palco. Dado Amaral em ação e o escritor angolano Ondjaki declamando poemas de seus conterrâneos...





terça-feira, 10 de junho de 2008

A máquina tá esquentando!




MaPa recebe Moraes Moreira e Ondjaki
Quarta edição tem momento de homenagem à literatura africana

A quarta edição do projeto MaPa, no dia 09 de julho, vai ter um momento dedicado ao continente africano. O escritor Ondjaki, nascido em Luanda, em 1977, vai declamar poemas de Eduardo White (de Moçambique) e de Ana Paula Tavares (de Angola), além de trechos de seus livros. Outra atração de peso é Moraes Moreira. O músico, que no ano passado lançou o livro “A história dos Novos Baianos e outros versos", recitará trechos da obra, que conta a história dos Novos Baianos em cordel. Dado Amaral fecha a lista de convidados, com poemas de Olho Nu, livro que está prestes a lançar. Fora isso, a banda do MaPa está mais afinada do que nunca. Continuará mesclando música e poesia e fazendo percussão com máquinas de escrever. Confira!


OS CONVIDADOS:
Moraes Moreira

No MaPa - Moraes recitará poesias e repentes de seu livro, além de algumas de suas músicas.
Quem é o cara – Moraes Moreira dispensa apresentações. Ele é músico. Em 2007, lançou o livro “A história dos Novos Baianos e outros versos". A obra é dividida em duas partes. Na primeira, sob a forma do cordel, conta a história do grupo pós-tropicalista. Na segunda parte, Moraes selecionou algumas das suas melhores letras de músicas e acrescentou notas em que explica suas particularidades.

Ondjaki
No MaPa
- Ondjaki vai ler poemas de Eduardo White (poeta de Moçambique) e alguns poemas de Ana Paula Tavares (de Angola), além de trechos de sua prosa.

Quem é o cara - Convidado da Flip de 2006, nasceu em Luanda, em 1977. Prosador e poeta, também escreve para cinema e co-realizou um documentário sobre a cidade de Luanda. Seus romances, como Bom dia camaradas (2001), O assobiador (2002) e Quantas madrugadas tem a noite (2004), são habitados por personagens que lutam para entrever beleza e esperança entre os destroços de uma das mais longas guerras civis africanas. É membro da União dos Escritores Angolanos. Seus livros foram traduzidos para francês, espanhol, italiano, alemão, inglês e chinês. Mais sobre ele: www.kazukuta.com/ondjaki

Dado Amaral
No MaPa - Dado declamará algumas de suas poesias.
Quem é o cara - Poeta, fez parte do Boato, banda que atuou intensamente nos anos 90. É também ator e cineasta, e realizou o documentário Por Gentileza (sobre o Profeta Gentileza) e curtas-metragens como Novela Vaga, uma comédia filmada entre o Rio de Janeiro e Paris. Professor de teatro, leciona interpretação no Nós do Morro (Vidigal) desde 2002. Prepara a publicação de seu primeiro livro de poemas, Olho Nu.



SERVIÇO:
Dia – 09 de julho (mudamos a data em homenagem aos tricolores!)
Local - Cinemathèque (Rua Voluntários da Pátria 53, Botafogo)
Horário – 21h30m TÁ MAIS CEDO!
Preço - R$ 20
Lista amiga – R$ 15 (para entrar para a lista amiga enviar e-mail para mapaprojeto@gmail.com)

quinta-feira, 29 de maio de 2008

De cabeça baixa

Flávio Izhaki leu trechos de seu romance recém-lançado pela editora Guarda-Chuva: De cabeça baixa. A história de um escritor em auto-exílio que encontra seu livro num sebo, cinco anos após a publicação deste, com as margens do texto todas anotadas com comentários cáusticos. Abaixo, um dos pequenos trechos lidos na noite e a foto do autor em cena, que, apesar de afirmar que estava nervoso, foi muito bem no palco e deixou a platéia com vontade de conhecer o desenrolar da história.


"Houve vezes que poderia ter feito um pouco mais, sido um pouco mais para Luana. Levá-la até a porta do elevador e congelar o sorriso na janelinha até a caixa descer. Não conseguia. Ela sempre via a sensação de perfeição desabar com força maior do que a gravidade. O último olhar nunca levava um sorriso de recordação, e nem o primeiro, quando ela abria os olhos se espreguiçando com o corpo inteiro e o sentia ao lado na cama."

As mariposas

Paulo Thiago de Mello esteve entre os convidados da última edição do MaPa. Abaixo trechos dos textos que declamou, inspirados em memórias de relacionamentos afetivos do passado!



Ela tem curvas. Todas elas têm. Mas sua textura muda e traz odores sutis, suores suaves, que a constragem e me embalam. Do centro de suas pernas saem mariposas. Sua floresta esconde um sol de úmidos raios. Muitas coisas acontecem ali. Misteriosas, emaranhadas, espessas, escorregadias. Exploro bem de perto seu território, com olhos de míope, farejando, tateando com todos os sentidos. Durante séculos, atravesso seus vales, mergulho em seu lago e me enrolo em sua pele transparente. Sorvo seus líquidos, mordo sua carne, bebo seu sangue e deixo sinais nas curvas de suas coxas. Cravo minha marca com caninos afiados. Depois, me cubro com seus cabelos e me deixo ficar, eterno vigilante de minha conquista. Está sempre de passagem, pronta para fugir. Mas às vezes se distrai e me fecunda de alegrias espantosas, até que o amanhecer a devolva aos abismos.


Era frágil como um passarinho. Olhar ciscando, impreciso, procurando saídas. Respirava sua sina de ninfa e escondia o medo na languidez dos gestos, nas palavras de obscenidade óbvia. Exalava um perfume barato. Os cabelos, duros de tanta tinta, eram cores improváveis, tom sobre tom de muitas camadas, como as histórias de seu dia-a-dia, que se sucediam rapidamente. Mas eu a via sempre menina. Perdido num turbilhão de dúvidas, não sabia se a devorava ou a salvava de uma vez por todas. Era ela quem decidia, afinal, quando me despia a alma e, assustada como um passarinho, me engolia.