
O cantor Cládio Pinheiro em um poema de Hilda Hilst musicado por Zeca Baleiro.
O poeta Henrique Rodrigues que participou da 2ª edição em 2007 mandou comentário e poema para celebrar o primeiro aniversário do Projeto.

Participar do MaPa foi interessante pela possibilidade de casar versos com música. Diferente de cantar, a experiência de versejar com música permite uma química diferente, dando à literatura um sabor melódico diferente daquele que a própria poesia já requer.
Ficaí então um poema que fiz por esses dias. De repente, ele poderá ser falado no futudo acompanhado dos seus sax, bateria e baixo.
Abração,
Henrique
SONETO COM TELA DE FUNDO AZUL
Guardar o que se pode da beleza,
Não cultivar o vácuo da lembrança,
Tampouco fermentar desesperança,
Mas respeitar o tempo da tristeza;
Abrir lugar àquilo que está vindo
E despedir-se do que já morreu;
Usar nós onde só cabia o eu,
Sabendo-se também como algo findo;
Sorver o breu de todo desencanto
Como se fosse um vinho seco e denso
A lágrima acridoce do teu pranto.
E então viver esse conjunto intenso
De todas as certezas em suspenso
Enquanto passa o que é só mesmo enquanto.
Um comentário:
Belo soneto, Henrique!
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